As armadilhas de buscar rendimento em títulos de moeda local na América Latina
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Pensei em compartilhar uma lição de alguns anos atrás que ainda me incomoda um pouco, sobre títulos de moeda local na América Latina. Era final de 2017, início de 2018. Os rendimentos dos títulos do governo local em lugares como o Brasil ($BRL) e o México ($MXN) pareciam incrivelmente atraentes no papel, especialmente em comparação com as ofertas de mercados desenvolvidos. O carry era substancial, e o consenso parecia ser que o pior da volatilidade cambial dos mercados emergentes havia ficado para trás. Minha convicção era alta, com base no que parecia ser uma melhora nos quadros fiscais e um ambiente global geralmente de risco. O que eu ignorei, ou talvez subestimei, foi a fragilidade desse quadro 'em melhora' e a volatilidade inerente ainda presente nesses mercados. Aumentei minha posição mais agressivamente do que deveria, seduzido pelos suculentos pagamentos de cupom. Avançando para 2018, o Fed começou seu ciclo de aperto de forma mais contundente, a retórica da guerra comercial escalou, e de repente, o carry trade 'seguro' tornou-se uma posição comprada muito desconfortável. O USD se fortaleceu significativamente, levando a uma depreciação material da moeda contra o $BRL e o $MXN, o que erodiu completamente a vantagem de rendimento. O que parecia um fluxo de renda estável transformou-se em uma perda de capital significativa quando convertido de volta para a moeda base. Foi um lembrete claro de que o carry, embora atraente, pode rapidamente se tornar uma âncora se não for gerenciado adequadamente o risco, especialmente quando a classe de ativos subjacente é suscetível a mudanças macro globais e ao fortalecimento do USD. A lição para mim foi: sempre respeite o risco cambial na dívida de mercados emergentes locais, não importa quão atraente o rendimento nominal pareça, e sempre dimensione corretamente a posição para riscos de cauda.